29 setembro 2010
Nação Zumbi
Achava que era só uma impressão minha mas um comentário aqui outro ali me fez perceber que a coisa tá ficando séria. O brasileiro está cada vez mais alienado. É um fato! Passamos por uma situaçao da qual nunca imaginei que pudesse existir num mundo onde o que manda é a informação.
É uma triste realidade, mas o brasileiro se transformou em um povo conformista. Das antigas lutas por direitos só sobraram as caras pintadas, de palhaço é claro. O pouco do poder de consumo conquistado pelas classes mais baixas é o suficiente para a vista grossa que a nação faz com relação aos problemas sociais – Tenho meu bolsa família, então o resto não importa! Reforma política e tributária pra quê? Corrupção? Deixa eles, contanto que não aumente a prestação da minha geladeira.
Outro dia vi uma pesquisa onde o brasileiro relacionava os maiores problemas do país e a educação passava longe. É claro, seria um paradoxo, se o povo dissesse que a educação é um dos maiores problemas sociais, então obviamente ela não seria um problema. Temos um dos piores sistemas de ensino do mundo e, consequentemente, um nível baixíssimo de instrução. Sobram vagas de emprego por falta de capacitação ao mesmo tempo em que o Sebrae não consegue completar turmas de seus cursos. Seria irônico se não fosse trágico. Só se fala na violência e nas drogas, como se a (falta de) educação não tivesse qualquer relação. E digo o mesmo de outro sério problema que é a saúde.
Estamos próximos de uma eleição onde a população parece agir anestesiada. Seguem a recomendação de voto de um governo com um índice absurdo de aprovação, sem qualquer questionamento. Os inúmeros escândalos de corrupção já viraram parte da peça e nem indignação existe mais. Voltamos ao populismo num preocupante retrocesso político que não se iguala nem mesmo à Era Vargas, que pelo menos dividia o país. E a oposição colabora com a falta de alternativas e planos de goveno. Intelectuais e formadores de opinião já discutem o futuro dos partidos opositores após as eleições.
A falta de questionamento fica também muito evidente na música. Tudo o que vemos é a reciclagem de velhos ritimos populares sob novos rótulos onde nem o rock e a MPB, antigos redutos de mentes criativas, escapam. Na cultura de massa assistimos há mais de três décadas uma ciranda de vai e vém dos mesmos estilos, tudo reciclado como se fosse moderninho, conforme manda a moda do momento. Forró, pagode, sertanejo combinados as novos sobrenomes: romântico, universitário, de raiz, e por aí vai. A nova MPB só sabe regravar e se reciclar, sem qualquer inovação. O rock foi mastigado e cuspido sob formas coloridas e infantilizadas e a cena underground não consegue mostrar nada mais empolgante que possa crescer em forma de um movimento.
Vivemos um preocupante hiato cultural. Não há movimentos, questionamentos, protestos, nada que molde a arte de forma criativa e inovadora. O culto às celebridades é preocupante. No Brasil a mídia transforma em celebridade até uma moça que foi à faculdade usando um vestido curto. Os meios só giram ao redor dos péssimos produtos que ela mesma produz, que por sua vez são consumidos cegamente por uma população zumbi.
Este é o Brasil em que vivemos, claramente influenciado por um efeito global, uma onda ecoada principalmente pelos países ocidentais economicamente desenvolvidos. Tribos, estilos musicais e, se é que assim podemos chamar, movimentos completamente destituídos de qualquer conteúdo. A cultura massificada sempre existiu, é claro, porém, sempre acompanhada de um contraponto onde novas idéias eram discutidas e apresentadas, o que sinceramente não vejo nos dias atuais. Hoje, ela caminha solitária, envolvente e avassaladora, arrebatando corações e mentes entorpecidas.
Assim o país avança, preocupado com a conquista do hexa e com quem continua na casa do próximo reality show. Estamos à beira do precipício. Pra frente Brasil!
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