31 agosto 2010

Possessão

Desenhada para a extinta revista Mosh!, esta é a segunda (e última) história publicada pela revista, e foi a primeira vez que mostrei a banda formada pelos três malucos.





30 agosto 2010

A Lenda dos Guardiões

A Lenda dos Guardiões (Legend Of The Guardians) é dirigida por Zack Snyder (300, Watchmen) com base nos livros infantis de Kathryn Lasky e conta a história das corujas da Floresta de Tyto, que tem seu reino pacífico ameaçado por um terrível mal. A animação foi feita pela Animal Logic, mesma de Happy Feet. Promete!

27 agosto 2010

Essa tal Geração Y


Tomei contato há pouco tempo com este conceito de Geração Y em meu curso de MBA. Conhecia, claro, a Geração X, afinal faço parte dela, e levava este nome por ser ser uma icógnita. Não se sabia ao certo que "bicho ia dar" desta geração. O tempo passou, a Geração X passou e surgiu o conceito da Y.

Geração Y seria toda a geração nascida dos anos 80 para cá e são os frutos naturais da geração anterior. Esta nova geração  tem como principal característica o contato precoce com aparelhos eletrônicos, videogames e, principalmente, computadores e internet, e tudo o que isto pôde acarretar em termos de desenvolvimento, educação, percepção e comportamento. Ela já foi bastante demonstrada em campanhas publicitárias, sempre representada por aquele fedelho que consegue desvendar facilmente as modernidades frente às dificuldades dos pais (Geração X).

Mas o que me motivou a escrever sobre esta geração foram dois motivos. O primeiro foi quando vi no Fantástico, na semana passada, uma adolescente que se propôs a ficar um dia desconectada, sem internet, celular ou qualquer outra "conexão online" com o mundo. O que me espantou no caso foi o momento que ela precisou enviar uma mensagem "offline" para uma amiga, ou seja, via correio. Ela não sabia que uma carta devia ser enviada dentro de um envelope e tão pouco o que era CEP.

Outro caso foi relatado por um amigo, que conversava com sua esposa no carro sobre precisar passar no alfaite, sob o olhar perplexo de sua filha no banco de trás – Do que vocês tão falando? O que é alfaiate? – disparou ela. Meu amigo, mais perplexo ainda  – Filha, você é uma estudante de publicidade, forma no ano que vem, e não sabe o que é um alfaiate?!

Sem entrar no mérito que talvez alfaiate seja uma profissão em extinção (não acredito muito nisso), é impressionante que alguém de vinte anos e esclarecida não saiba o que seja isso. Mas o caso do CEP me deixou ainda mais atônito, afinal, mesmo que não seja mais tão comum enviar cartas e muito menos telegramas, o sistema de postagem ainda é muito difundido para envio de documentos e mercadorias.

Parece que quanto mais conectada esta geração está com os eletrônicos e com a internet, mais desconectada do mundo ela fica. Quanto mais fácil é a informação, menos as pessoas a buscam. Esta nova geração tem como característica marcante a não especialização da informação: sabem de tudo um pouco e muito pouco sobre alguma coisa em particular. Nunca vão a fundo em algum assunto (a não ser, claro, em algum curso específico). Não tem paciência para ler e se concentrar em algo extenso, mesmo que seja um filme.

Mas a Geração Y está aí e é o público consumidor dos dias hoje. Devemos ficar atentos a eles. Já a chamei antes de Geração Videoclip, meio que inconscientemente já conhecendo conceito, e para falar a verdade tenho um pezinho nela, já que também tive este acesso aos eletrônicos e à informação desde cedo e porque, afinal, não sou tão velho assim.

Ao observar minha sobrinha de um aninho brincando com a iPad de meu irmão, fiquei preocupado mesmo é com esta novíssima geração que vem surgindo (chamada por alguns de Geração Z). Do celular de minha cunhada, com aquele teclado físico, ela não quer nem saber. Esta novíssima geração sim é a verdadeira X, pois nem imagino que bicho vai sair disso aí.

25 agosto 2010

Walking The Dead Trailer

Uma série de TV sobre zumbis, por quê não pensaram nisso antes? Walking The Dead conta a história de um grupo de sobreviventes de um holocausto zumbi, liderados pelo policial Rick Grimes (Andrew Lincoln) em busca de um lugar seguro, e é baseada na série de quadrinhos criada por Robert Kirkman. Inicialmente, a série da rede AMC contará com 6 episódios de uma hora cada e, dependendo do sucesso, poderá ganhar novos episódios. A estréia é dia 31 de outubro, nos EUA, na noite de Halloween. A série em quadrinhos é publicada no Brasil pela HQManiacs.

Depois de ser exibido na Comic-Con, o trailer de 4 minutos caiu na rede em formato bootleg e só agora chega com qualidade.

24 agosto 2010

Rock In Rio 2011

Imagens digitais de como ficará a nova Cidade do Rock (cada vez mais pop). No projeto parece muito bacana.



23 agosto 2010

Ilustrações vetoriais

Criei e ilustrei estes mascotes para alguns clientes em Belo Horizonte, dentre eles um serviço de entrega de água, três mascotes que acabaram não sendo utilizados, referentes aos sabores laranja, limão e uva, para uma marca de sucos, e um para a o regional da Telemar, para ações locais de ponto de venda.







22 agosto 2010

Rango

Animação do camaleão com voz de Jonny Depp tem trailer bem legal. Gostei bastante da idéia e dos personagens. A animação ambientada no velho oeste é produzida da Industrial Light & Magic e tem direção de Gore Verbinski (Piratas do Caribe).

1967, o ano da psicodelia!

Não sei se foi algum evento cósmico ocorrido nos anos 60 que reverberou seus efeitos concentrados num único ano, mas o que o mundo ouviu em 1967 ecoa suas ondas sonoras até hoje.

Este ano foi muito importante para o rock psicodélico e para a história do rock’n’roll como um todo. Nunca houve tantos lançamentos importantes num mesmo ano, alguns deles estréias de artistas do mais alto calibre do gênero.

Para se ter uma idéia, foram lançados “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “Magical Mystery Tour”, ambos dos Beatles; “The Who Sell Out”, do The Who; “The Piper At The Gates Of Dawn”, do Pink Floyd; “Itchycoo Park”, do Small Faces; “Winds Of Change”, de Eric Burdon & The Animals; “Surrealistic Pillow” e “After Bathing At Baxter’s”, ambos de Jefferson Airplane; “Forever Changes”, do Love; “Disraeli Gears”, do Cream; "Something Else By The Kinks", do The Kinks, "Younger Than Yesterday", do The Byrds e “Their Satanic Majesties Request”, dos Rolling Stones. Foi ainda o ano de estréia de Jimi Hendrix, que lançou “Are You Experienced?” e “Axis: Bold As Love”; The Doors com “The Doors” e “Strange Days”; The Velvet Underground com “The Velvet Underground And Nico”, todos em 1967!

O verão de 1967 ficou ainda conhecido como “The Summer Of Love” nos Estados Unidos, onde São Francisco foi o epicentro da revolução hippie dos anos 60. Foi realizado ainda neste ano o Festival de Monterey, na California, onde Jimi Hendrix e Janis Joplin se apresentaram pela primeira vez em um festival de grande porte.

Numa época como hoje, tão pobre para a música e para o rock’n’roll em especial, nada melhor do que resgatar este ano tão especial. Ouça sem moderação.



Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band - The Beatles



Disraeli Gears - The Cream



The Doors - The Doors



Are You Experienced? - Jimi Hendrix



Something Else By The Kinks - The Kinks



Surrealistic Pilow - Jefferson Airplane



Piper At The Gates Of Dawn - Pink Floyd



The Who Sell Out - The Who




The Velvet Underground And Nico - The Velvet Underground

20 agosto 2010

Ilustrações vetoriais

Ilustração vetorial é um tipo de ilustração digital que utiliza curvas vetoriais baseadas em equações matemáticas. Sou um grande apaixonado por ilustrações vetoriais e na ocasião que estava fazendo meu primeiro site para Os Tranquêra, fiz uma série de ícones de meus personagens que ficaram bem legais. Apesar de rascunhados à mão, dei a eles um acabamento totamente vetorial no Adobe Ilustrator, dando origem a um estilo de ilustração que utilizei em vários trabalhos posteriores.






E os gauleses sucumbem ao imperialismo

Esta campanha do McDonald's, criada pela BETC EuroRSCG e veiculada na frança, trouxe muita indignação por parte dos franceses e uma campanha de repúdio liderada pelo jornal Le Figaro. A imagem mostra a resistente aldeia gaulesa de Asterix e Obelix em sua famosa comemoração na página final de suas aventuras, só que desta vez dentro de um McDonald's. Teriam os gauleses, que resistiram bravamente ao Império Romano, sucumbido ao imperialismo norte americano?


18 agosto 2010

O liquidificador da minha mãe e a sustentabilidade



Minha mãe tem um liquidificador muito antigo. Quando questionei a ela se o dito cujo foi presente de casamento ela disparou: Casamento nada! Este aí seu pai ganhou na rifa quando tinha 18 anos! – Cara, esse negócio tem uns 50 anos e funciona perfeitamente!

Também tenho em minha casa um fogão que era de minha avó. Uma vez veio um cara tirar medidas da minha cozinha pra fazer uns armários, eu meio que fiquei com vergonha do fogão e falei que ia comprar um novo, no que o cara me respondeu: Não troca esse fogão não, ele é muito bom! Os fogões de hoje não valem nada.

Antigamente os produtos eram feitos pra durar; fogões, geladeiras, telefones, carros e, claro, liquidificadores, entre muitos outros. Nos dias de hoje, onde atingimos o grau mais alto do desperdício, frutos da era de consumismo desenfreado em que entramos, um celular com 3 anos de idade é lixo. Computadores, eletrodomésticos, câmeras e toda sorte de peças e circuitos formam pilhas e mais pilhas de lixo, principalmente nos países mais desenvolvidos.

O que adianta as empresas modernas falarem em sustentabilidade se seus produtos continuam ficando obsoletos em tão pouco tempo? Se não podem fazer produtos duráveis devido ao crescente desenvolvimento tecnológico, por que não criar plataformas onde o usuário pudesse atualizá-los sem precisar descartá-los totalmente? A vida útil de um produto cresceria se seu projeto fosse mais flexível, prevendo-se adapatações futuras ao longo do tempo.

A obsolescência funcional é um fenômeno social atual, quando um produto, mesmo não estando totalmente degrado, é substituído por um novo devido a uma necessidade marcada apenas pelo desejo. Ela produz um custo social e ambiental muito alto, como o acúmulo de lixo, resíduos e desperdício de matéria prima.

Enquanto muitos liquidificadores vem e vão, o da minha mãe continua firme e forte. A única peça que precisou ser trocada foi o copo, umas 3 ou 4 vezes. O primeiro era de vidro, durou uns 25 anos, mas infelizmente acabou quebrando. Os outros, de plástico, devem ter durado uns 5 anos cada um.

A foto acima eu encontrei no Mercado Livre, idêntico ao de minha mãe, e está à venda pela bagatela de R$ 150,00. O preço vale porque ainda vai durar mais uns 50 anos enquanto um novo não deve ter 10 anos de sobrevida.


Abaixo, um vídeo muito legal, mas preocupante, que monstra o consumismo e a obsolescência dos produtos de hoje.




17 agosto 2010

Black Swan Trailer

Darren Aronofsky é um de meus diretores atuais favoritos, um dos poucos autorais que ainda resistem ao enorme peso do mainstream hollywoodiano. Quando soube da temática caótica de Pi, interessei-me pelo filme instantaneamente, mas acabei vendo Requiém Para Um Sonho antes, filme pesadíssimo que me pertubou profundamentee me fez virar fã de Aronofsky. Acabei vendo Pi depois, sucedido de suas produções posteriores, A Fonte da Vida e O Lutador, todos fantásticos.

Há pouco tempo surgiu a notícia que Aronofsky dirigiria um remake de Robocop, mas que acabou não vigando devido aos problemas financeiros da MGM. Fico imaginando que tipo de filme sairia.

Black Swan é ambientado no mundo do balé novaiorquino, onde a veterana dançarina Nina (Natalie Portman) compete com sua principal rival Lilly (Mila Kunis). O problema é que Nina não sabe se sua rival realmente existe, é uma aparição sobrenatural ou fruto de sua imaginação.

Os Tranquêra - Furada no banheiro

16 agosto 2010

Top 5 - Filmes de Vampiro

Como falei sobre Bram Stoker e vampiros no sábado, vai aqui meu top 5 de filmes vampirescos.


1- Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker's Dracula, 1992) - Francis Ford Coppola
Adoro este filme! Além de ser o que mais respeita a mitologia de Bram Stoker (o romantismo entre Drácula e Mina é minha maior bronca), é uma aula de cinema. Roteiro, edição, fotografia, figurino, trucagens de câmera, maquiagem, efeitos e claro, direção, afinal estamos falando de Francis Ford Coppola. E se o Keanu Reeves não convence muito, Gary Oldman na pele do vampiro é simplesmente genial.


2- Nosferatu (1922) - Friedrich Wilhelm Murnau
Este filme é fantástico! Sou fã da estética expressionista e o vampiro de Max Schreck é o mais medonho do cinema, um verdadeiro monstro, muito longe dos vampiros bonitinhos e ordinários de hoje. O filme tem muitas cenas antológicas, mas a que o vampiro levanta feito uma tábua é a melhor de todas e recebeu até uma homenagem no filme do Coppola.


3- A Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killers, 1967) - Roman Polanski
Assisti este filme várias vezes nas madrugadas. É muito legal e engraçado, com aquele climão claustrofóbico de castelo na Transilvânia, com direito até a um lacaio corcunda do Conde. A professor Abronsius (um Van Helsing genérico) interpretado por Jack MacGowran é hilário, e Sharon Tate, simplesmente maravilhosa.


4- A Hora do Espanto (Frigh Night, 1985) - Tom Holland
Este é um dos clássicos filmes dos anos 80, além de ser o primeiro filme de vampiro que assisti. A história também imita bastante a de Drácula, só que transportando para os tempos atuais, onde o vampiro é um um vizinho sedutor. Gosto bastante dos efeitos de maquiagem e do clima bem humorado da fita.


5- Dracula - (1931) - Tod Browning
Para ser bem sincero não gosto muito da direção de Tod Browning.  É muito amarrada ao cinema mudo, o timing é lento há pouco diálogos. Mas o Drácula de Bela Lugosi, apesar de bastante caricato, marcou a história do cinema para sempre por sua paixão ao personagem. O cenário e elementos de cena são impressionantes, principalmente o castelo do Conde e a Abadia Carfax. E Dwight Frye (o corcunda do fillme Frankenstein), sempre ótimo em seus filmes, rouba a cena como Reinfield.

Rock In Rio 2011

Depois de muito tempo o Rock In Rio volta a ser realizado no Rio, por incrível que pareça. Só esperamos que ele continue sendo Rock, porque tá meio difícil de acreditar com este povo cantando aí. Vamos orar para Jimi Hendrix e esperar o line up pra ver.

15 agosto 2010

A magia da Pixar


Lembro-me exatamente de um certo dia do ano de 95, na faculdade, quando um de nossos professores entrou na sala e comentou: Toy Story é o primeiro filme da Disney para meninos! – Sem princesas, príncipes encantados e coisas do gênero – Vim a saber que o filme não era exatamente da Disney, que apenas distribuía, mas de um estúdio com produção criativa própria: a Pixar Animation Studios.

Fui assistir Toy Story um pouco mais tarde, já em vídeo (ainda nas extintas fitas cassete). Na época tinha ainda um pé atrás com relação a filmes em animação 3D. A qualidade geralmente não era lá grande coisa, mas me surpreendi muito. Boa história, bom roteiro, personagens cativantes, bem desenhados e desenvolvidos, situações dramáticas, humor inteligente e muita emoção.

Passei a acompanhar as produções do mesmo estilo e também de outros estúdios como a Dreamworks (Formiguinhaz, Shrek) e Sony um pouco mais tarde (A Era do Gelo). Mas alguma coisa era diferente na Pixar. Apesar da qualidade técnica que vinha sempre aumentando (é só comparar Toy Story com Toy Story 2) era a história que comandava a produção. Tudo sempre muito bem amarrado, história, roteiro, personagens, elementos de cena, direção, tudo que envolve a produção; e ano após ano sempre leio os mesmos comentários sobre seus filmes: a Pixar conseguiu de novo!

A importância da Pixar é tanta que recentemente foi comprada pela Disney, e seu diretor criativo, John Lasseter, se tornou o diretor criativo da própria Disney, numa verdadeira prova de reconhecimento que seu verdadeiro valor é o capital intelectual, pois estúdios e computadores não fazem nada sozinhos.

De todos os estúdios que produz este tipo de animação, a Pixar é a única que conseguiu me levar a assistir todos seus filmes; e o mais impressionante é que são ótimos e adorei a todos! Ano após anos fui ver Toy Story 1 e 2, Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os incríveis, Carros, Ratatouille, Wall-E e Up; e saí de todas as sessões com o mesmo sentimento, um misto de alegria e tristeza, pois é a única que consegue a dose certa de elementos que mexem de diferentes maneiras com nossos corações. Todos seus filmes tem uma forte lição de moral sem ser piegas, e conseguem emocionar e cativar tanto adultos quanto crianças. Num momento estamos em lágrimas, noutro caimos às gargalhadas, ainda com as lágrimas afogadas na garganta, numa verdadeira montanha russa emocional. Suas piadas são inteligentes e não depende de referências ou sátiras, pois se acontecem, são sempre discretas.

Escrevo estas linhas no exato momento que saio da sessão de Toy Story 3, ainda contagiado pela emoção, aquele misto de alegria e tristeza. Sim, ela conseguiu de novo! A magia da Pixar me envolveu novamente e mal espero para ver o próximo.

14 agosto 2010

Bram Stoker e a mitologia do vampirismo


Em tempos de filmecos aborrecentes de vampiros, chegamos ao auge da deturpação e consequente declínio de um tipo de personagem que eu costumava adorar. Se perguntar a qualquer um na rua o que sabe sobre vampiros, esta pessoa provavelmente vai dizer que são seres que bebem sangue, não possuem reflexo no espelho, se transformam em morcegos, dormem em caixões, tem medo de crucifixo e água benta e viram pó se forem expostos ao Sol. No dias atuais podem até dizer ainda que são sexys e românticos. É uma mitologia constituida e já faz parte de nossa cultura, presente no consciente coletivo da humanidade.

Li o livro de Bram Stoker muito cedo, já na adolescência, e desde lá tenho um senso muito crítico com relação às produções sobre o tema, fato que me faz manter distância de boa parte das obras atuais do gênero. O que mais me espanta, entretanto, é que apesar de Drácula ser sua referência máxima, ele nunca foi respeitado ou levado a sério, sofrendo inúmeras liberdades nas várias adaptações que o sucederam. O estranho disso tudo é que durante todo o tempo desde a obra original, se construiu uma mitologia do vampirismo que deturpa por completo a mitologia descrita por Bram Stoker.

O primeiro elemento que podemos citar desta mitologia é a luz solar, que acabou virando a maior fraqueza dos vampiros em praticamente quase todas obras. Para se entender isso, voltamos à década de 20, com Nosferatu, de Friedrich Wilhelm Murnau. Impedido na época pelos herdeiros de Stoker de adaptar seu livro, acabou alterando uma coisinha aqui outra ali e fez do filme um Drácula genérico, usando a mesma estrutura básica da história. Neste filme, até bastante fiel à obra literária, trazia um detalhe que marcou a mitologia para tudo o que veio a seguir sobre vampiros: no final, o vampiro é destruído pela luz do Sol.

No livro de Stoker, a luz solar nunca foi algo mortal para o vampiro, contendo, inclusive, um trecho onde os heróis da história o perseguem em pleno dia, tendo apenas seus poderes sobrenaturais anulados e ficando, obviamente, mais vulnerável. Esta confusão se deu porque, simplesmente, no livro, Drácula foi destruído ao amanhecer pelos seus perseguidores, sendo decapitado e virando pó. Aliás, a decaptação era a única coisa que realmente podia destruir o monstro e o fato dele virar pó não tem nada a ver com a luz solar, apenas porque o pó seria o estado natural de seu corpo após séculos de sua verdadeira morte.

Acredito que pelo filme ser bem mais acessível que a obra literária, este negócio de luz solar acabou virando uma regra. Mas uma coisa o filme de Murnau mantinha com grande mérito: o vampiro era um ser desprezível, causava repulsa, um verdadeiro monstro, coisa que se perdeu nos dias atuais. Hoje os vampiros são belos, sexys e até brilham!

O alho propriamente dito não era utilizado para afastar os monstros, e sim suas flores, e o uso dos elementos cristãos fica óbvio ao observarmos a cultura e a religião da época, dos personagens e, principamente, do autor; já que os vampiros eram demônios e a sociedade bastante supersticiosa. São elementos que, juntamente com a estaca, ganharam grande força dentro da mitologia no decorrer dos tempos.

O caixão é outra coisa equivocada pelas várias versões cinematográficas. Os caixões de Drácula nunca foram "caixões de defunto", e sim grandes caixas contendo a terra natal do Conde. Ele necessitava da terra para manter seus poderes, que vinham de seu local de origem, e quando todas elas são inutilizadas por Van Helsing e sua trupe, ele necessita urgentemente voltar para a Transilvânia, dentro da única caixa que conseguira manter.

Os poderes de transmutação de Drácula também acabaram ficando relegados apenas à forma de morcego, já que no livro ele podia se transformar também em lobo e névoa, além de ter controle sobre os seres da noite. Não sei se por falta de recursos das primeiras adaptações, mas se convencionou que vampiros se transformam apenas em morcegos. O filme A Hora do Espanto até trouxe o personagem Evil Ed se transformando em lobo, mas me lembro que muitos na época o chamaram de lobisomem, causando uma grande confusão.

No filme Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola, muitos destes mitos originais foram respeitados, numa vã tentativa de resgatá-los. Neste filme, Drácula caminha durante o dia, repousa em suas caixas de terra, são mostradas flores de alho, se transmuta em morcego, lobo, névoa e até mesmo ratos (no livro ele apenas tinha controle sobre os roedores), e os vampiros são destruídos contando-lhes as cabeças. Mas ficou por aí, nas produções que se seguiram, os mitos construídos no decorrer do século continuaram com sua força tradicional.

O filme de Coppola, porém, traz humanidade ao vampiro, que até amor sentia, algo que não condiz em nada com sua caracterização como monstro. Isto é uma coisa que ficou muito comum nas produções dos dias atuais: vampiros agindo com consciência como se apenas tivessem ganho poderes sobrenaturais. No filme Crepúsculo, Edward até se preocupa em não transformar sua amada Bella em vampira pelas consequencias que isto pode trazer a ela. No livro de Stoker, Drácula era um monstro, com todas suas conotações possíveis. Era um demônio repulsivo! Lucy, quando se transforma em vampira, deixa completamente de ser a adorável dama para beber sangue de criancinhas e agir como uma morta viva, como se estivesse possuída por um demônio, argumento usado por Van Helsing para que seu noivo corte sua cabeça.

Outra coisa bastante explícita na obra de Bram Stoker era a sexualidade de Drácula, que nunca sugava o sangue de homens, apenas de mulheres. Os homens eram torturados e mortos, mas nunca tinham seu sangue sugado. Isto porque o "beber sangue" tem, na verdade, uma conotação sexual. No filme A Dança dos Vampiros, de Roman Polanski, temos um cena hilária onde o filho homosexual do Conde persegue o personagem interpretado pelo próprio Polanski a fim de beber seu sangue. Esta conotação sexual também é vista no filme Sede de Viver, onde a vampira interpretada por Catherine Deneuve substitui o envelhecido parceiro interpretado por David Bowie pela personagem de Susan Sarandon, num evidente relacionamento lésbico. Ou isto se perdeu por completo nos dias de hoje ou os vampiros atuais são todos bissexuais. Acho que os produtores vem seguindo a cartilha de Anne Rice, autora de Entrevista Com o Vampiro, que também ganhou versão cinematográfica, mas não entenderam que seus personagens eram bissexuais. Não li o livro, mas fica bastante evidente, pelo menos no filme, que os personagens de Brad Pitt e Tom Cruise são gays. Não que eu tenha algo contra, mas não acho que era a intenção de um personagem como Blade, por exemplo, ser bissexual.

Uma grande febre por filmes juvenis sobre vampiros tomou conta de Hollywood nos últimos anos, nos trazendo obras descartáveis e esquecíveis envolvendo criaturas outrora assustadoras como vampiros e lobisomens, o que vem transformando ainda mais a mitologia. Hoje os vampiros ou são belos e elegantes ou protagonizam cenas de ação como se fossem super-heróis. O que conta no cinema atual são filmes de ação para os meninos e romântico para as meninas, ou as duas coisas combinadas para atrair o maior público possível, então nada mais confortável para os produtores do que saturar o tema sugando até o último sangue, com o perdão do trocadilho. Bram Stoker deve estar se contorcendo cada vez mais no túmulo. Chega de vampiros, Crepúsculo foi literalmente o fim da picada pra mim!

11 agosto 2010

Redes Sociais são coisas do passado

Série de anúncios feitos pela agência Moma de São Paulo para o Maxi Mídia 2010 é uma forma de nos dizer o quanto as coisas evoluem rápido. Os anúncios mostram as atuais redes sociais em versões vintage. É bom manter-se informado pois daqui a pouco tempo elas já serão coisas do passado.