04 agosto 2010

Greenwashing



Greenwashing é um termo usado quando uma empresa, ONG, ou até mesmo o próprio governo, propaga práticas ambientais positivas e, na verdade, possui atuação contrária aos interesses e bens ambientais. É usado para a construção de uma imagem pública utilizando-se idéias ambientais que não condizem com a real gestão, que é na verdade causadora de degradação ambiental.

É um prática nociva que vem sendo adotada por muitas empresas atualmente, seguindo a tendência moderna do marketing de ser ecologicamente sustentável, sendo que muitos consumidores andam preocupados com os impactos dos produtos que consomem. Esta prática manifesta-se em grande parte através de mensagens de responsabilidade socioambiental em embalagens de produtos e em propagandas institucionais. Muitas empresas ainda, praticam o greenwashing para encobrir erros do passado. ONG's mal intencionadas também se utilizam desta prática para captação de recursos públicos ou privados, posteriormente utilizados para ações de degradação ambiental.

Gigantes como Petrobrás e Vale usam periodicamente mensagens de sustentabilidade em suas campanhas instituicionais. Fica evidente que a preocupação ambiental deste tipo de empresa é alinhar-se com a atual tendência do marketing, após décadas de degradação do meio ambiente. Porém, é muito difícil para um cidadão comum dimensionar a veracidade da atual política destas empresas através apenas de campanhas publicitárias patrocinadas por elas mesmas. É difícil saber também qual o lado da balança pesa mais, de suas práticas sutentáveis ou das que degradam o meio ambiente. Como a última decorre de suas atividades econômicas, não há como apostar na sustentabilidade.

O governo também utiliza-se do greenwashing para maquiar desmatamentos e amenizar a opinião publica sobre impactos ambientais causados por seus projetos. Também é usado diplomaticamente como forma de obter permissão para poluir mais, como no caso do Governo Brasileiro que quer um teto maior de emissão de gás carbono para os países em desenvolvimento com relação aos países desenvolvidos, sob o argumento de que estes últimos já poluiram mais antes. A Índia já quer uma permissão "per capita", exatamente por ser o segundo país mais populoso do planeta, ficando atrás somente da China. Fica evidente, portanto, que não há intenção nenhuma destes governos em reduzir a emissão de poluentes.

Nas prefeituras municipais, encontramos o greenwashing observando órgãos como o Codema. Visto pela população como um órgão regulador de impactos ambientas, funciona na verdade somente sob orientação e interesses das próprias prefeituras, permitindo, por exemplo, cortes ilegais de árvores e construções irregulares para obter determinado benefício econômico para a gestão ou em favor algum interesse particular.

O greenwashing é também muito utilizado no turismo para iludir turistas que acreditam estar participando de algum projeto que respeite a natureza ou os valores culturais locais, quando, na verdade, estão contribuindo para a degradação do meio ambiente. Um hotel pode divulgar que possui um empreendimento ecológico apenas por estar localizado numa floresta mas que na verdade não possui um programa sustentável, contribuindo para a degradação da natureza local. O mesmo pode ser praticado por secretarias de turismo para fomentar a atividade econômica em detrimento da efetiva política de proteção ambiental.

Tenho uma grande desconfiança dos apelos ambientais, principalmente se vem de uma grande empresa ou governo. Considero que a verdadeira prática sustentável, embora necessária, requer grandes investimentos que a torna economicamente inviável e contra os verdadeiros interesses da maioria das gestões públicas ou privadas, que veem no verde apenas a cor do dinheiro.

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