15 agosto 2010

A magia da Pixar


Lembro-me exatamente de um certo dia do ano de 95, na faculdade, quando um de nossos professores entrou na sala e comentou: Toy Story é o primeiro filme da Disney para meninos! – Sem princesas, príncipes encantados e coisas do gênero – Vim a saber que o filme não era exatamente da Disney, que apenas distribuía, mas de um estúdio com produção criativa própria: a Pixar Animation Studios.

Fui assistir Toy Story um pouco mais tarde, já em vídeo (ainda nas extintas fitas cassete). Na época tinha ainda um pé atrás com relação a filmes em animação 3D. A qualidade geralmente não era lá grande coisa, mas me surpreendi muito. Boa história, bom roteiro, personagens cativantes, bem desenhados e desenvolvidos, situações dramáticas, humor inteligente e muita emoção.

Passei a acompanhar as produções do mesmo estilo e também de outros estúdios como a Dreamworks (Formiguinhaz, Shrek) e Sony um pouco mais tarde (A Era do Gelo). Mas alguma coisa era diferente na Pixar. Apesar da qualidade técnica que vinha sempre aumentando (é só comparar Toy Story com Toy Story 2) era a história que comandava a produção. Tudo sempre muito bem amarrado, história, roteiro, personagens, elementos de cena, direção, tudo que envolve a produção; e ano após ano sempre leio os mesmos comentários sobre seus filmes: a Pixar conseguiu de novo!

A importância da Pixar é tanta que recentemente foi comprada pela Disney, e seu diretor criativo, John Lasseter, se tornou o diretor criativo da própria Disney, numa verdadeira prova de reconhecimento que seu verdadeiro valor é o capital intelectual, pois estúdios e computadores não fazem nada sozinhos.

De todos os estúdios que produz este tipo de animação, a Pixar é a única que conseguiu me levar a assistir todos seus filmes; e o mais impressionante é que são ótimos e adorei a todos! Ano após anos fui ver Toy Story 1 e 2, Vida de Inseto, Monstros S.A., Procurando Nemo, Os incríveis, Carros, Ratatouille, Wall-E e Up; e saí de todas as sessões com o mesmo sentimento, um misto de alegria e tristeza, pois é a única que consegue a dose certa de elementos que mexem de diferentes maneiras com nossos corações. Todos seus filmes tem uma forte lição de moral sem ser piegas, e conseguem emocionar e cativar tanto adultos quanto crianças. Num momento estamos em lágrimas, noutro caimos às gargalhadas, ainda com as lágrimas afogadas na garganta, numa verdadeira montanha russa emocional. Suas piadas são inteligentes e não depende de referências ou sátiras, pois se acontecem, são sempre discretas.

Escrevo estas linhas no exato momento que saio da sessão de Toy Story 3, ainda contagiado pela emoção, aquele misto de alegria e tristeza. Sim, ela conseguiu de novo! A magia da Pixar me envolveu novamente e mal espero para ver o próximo.

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