06 novembro 2010

Os mortos andam mais vivos do que nunca!


Estreiou no último fim de semana com grande sucesso nos Estados Unidos a série The Walking Dead, baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman.

Assista ao trailer da série

O apocalipse zumbi reflete os maiores temores da alma humana. Sua concepção vem desde o texto bíblico, mas foi no final dos anos 60 que ganhou sua versão mais moderna, nas mãos do mestre George A. Romero.

No filme A Noite dos Mortos Vivos, Romero criou o subgênero de horror, aproveitando a temática para criticar a sociedade moderna baseada no capitalismo e no consumismo. O que são zumbis senão uma analogia à nossa atual sociedade completamente alheia ao pensamento crítico? Em sua sequência, O Despertar dos Mortos, os humanos se refugiam em um shopping, nada mais do que o maior ícone do capitalismo, o templo do consumo. Já no terceiro, O Dia dos Mortos, cientistas estudam uma maneira de controlá-los. Talvez a maior diferença entre os zumbis e nossa atual sociedade seja que os primeiros não possam ser controlados.

O que torna este gênero tão interessante não são os mortos que andam provocando sustos, mas sim os sobreviventes e seus atritos pessoais, suas atitudes egocêntricas e disputas de poder e influência. A situação, muito distante da zona de conforto, faz emergir o pior e o melhor de cada um, revelando heróis e vilões que em uma situação normal seriam bons vizinhos ou amigos. O horror não está apenas nos mortos propriamente ditos, mas na situação como um todo.

O gênero voltou com tudo na última década e, longe da moda dos vampiros que de monstros tornaram-se galãs adolescentes, foram atualizados para parecerem mais aterrorizantes e selvagens, ganhando mais agressividade e agilidade. No filme Extermínio, de Danny Boyle, os zumbis estão vivos, porém portadores de uma espécie de vírus da raiva, transformando os infectados em carnívoros extremamente fortes, ágeis e agressivos. Na refilmagem do clássico de George Romero, A Madrugada dos Mortos, dirigida por Zack Snyder, os zumbis mantém a aparência desmorta clássica mas, assim como em Extermínio, ganham mais agressividade e agilidade, o que os tornam mais perigosos. O gênero também ganhou uma genial comédia nas mãos de Edgar Wright e Simon Pegg - Shaun Of The Dead - que ganhou no Brasil o triste título de Todo Mundo Quase Morto, na tentativa óbvia de abocanhar o público de filmes sátira como Todo Mundo Em Pânico.

Até mesmo o mestre George A. Romero aproveitou a onda, chegando a lançar mais três filmes, uma sequência natural de seus primeiros e mais dois derivados, iniciando uma nova sequência. Estes filmes, porém, ficaram muito longe dos originais que continham um conteúdo mais profundo.

E eis que os mortos vivos chegam ao topo da popularidade ganhando uma série na TV que já estreiou como um fenômeno de audiência. The Walking Dead mantém toda a cartilha criada por Romero, desde os zumbis lentos e débeis com a aparência cadavérica clássica até às relações e conflitos humanos que são o verdadeiro recheio deste gênero que está mais atual como nunca.

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