17 outubro 2010

Forma e Conteúdo

Hollywood passa ultimamente por uma irritante onda de remakes. Inúmeros filmes, principalmente dos anos 80, vem sendo dispensavelmente refilmados. É uma moda que já remonta alguns anos mas que parece ganhar força cada vez mais.

Filmes de terror como Horror em Amityville, Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13, A Casa de Cera, A Hora do Pesadelo, Madrugada dos Mortos, O Lobisomem, entre outros, são os preferidos dos estúdios, talvez pelo hiato criativo pelo qual passam as últimas produções, que parecem mais focadas no gore escatológico do que no suspense e dramas psicológicos, para não falar dos roteiros. Outras produções como O Planeta do Macacos, A Fantástica Fábrica de Chocolates, Fúria de Titãs e Karatê Kid também ganharam uma repaginada para a nova geração. E já estão sendo produzidas as novas versões de A Hora do Espanto e Hellraiser, para desespero dos fãs das obras originais.

Parece que Hollywood tem essa necessidade de "atualizar" determinados filmes por parecerem datados esteticamente, principalmente no que se diz respeito aos efeitos especiais. Tem-se o errôneo conceito de que o CGI é uma tecnologia impecável e todos os antigos efeitos de maquiagem e stop motion necessitem ser refeitos. George Lucas que o diga. Seus últimos filmes, infinitamente mais bem construídos em termos de efeitos especiais e direção de arte são, ao mesmo tempo, infinitamente inferiores no que se diz respeito à história e qualidade geral das obras.

E eis que surge agora o cinema 3D trazendo lucro aos estúdios, e tudo parece necessitar ser feito ou convertido para esta nova tecnologia. Avatar, de James Cameron, filme que apontou e atirou para esta nova tendência, transformou-se rapidamente, através do marketing é claro, no filme de maior bilheteria de todos os tempos. O filme ultrapassou até mesmo Titanic que, não por coincidência, pertence ao mesmo diretor. E o que é Avatar senão uma colcha de retalhos de muitas outras histórias recheada de clichês, já filmadas e refilmadas inúmeras vezes? Avatar é o filme onde a forma se sobressai ao conteúdo de maneira escancarada.

Sejam através de refilmagens ou idéias pouco originais, o que se vê atualmente na indústria cinematográfica americana é a supervalorização da forma em detrimento do conteúdo como o principal motivador das atuais produções. Não importa mais a história e tampouco o roteiro, desde que a nova geração possa se entreter com os efeitos mirabolantes construídos em CGI e filmados para a nova tecnologia 3D. Um adeus à imaginação e à criatividade.

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