Assisti à pouco tempo ao remake de Fúria de Titãs, filme originalmente produzido em 1981 que contava com os efeitos do genial mestre do stop motion, Ray Harryhausen. Apesar das críticas negativas, tive a necessidade de ver esta nova produção pelas boas lembranças que o original exerceu sobre mim e pela minha paixão pela mitologia grega. Antes dele, nunca havia visto em um filme as fascinantes histórias e fantásticos personagens desta rica mitologia, que apesar de ficar datado pelo passar dos anos, suas imagens ficaram gravadas para sempre em minha memória.
Apesar da "qualidade" dos efeitos, esta nova produção é de modo geral muito ruim. Coloco entre aspas a qualidade porque o original, apesar de datado, era muito mais interessante. O filme possui um ritmo acelerado onde personagens são mal desenvolvidos e sequer nos identificamos ou nos importamos com o herói, que aliás foi muito mal interpretado por Sam Worthington. No final nem guardamos na memória o nome de Andrômeda e tão pouco vimos a figura de Atena, personagens de grande importância para a história.
O original já havia alterado substancialmente a mítica mas pelo menos preservava o interesse romântico entre Perseu e Andrômeda, tensão sexual que foi deslocada neste remake para a personagem Io (?) e um final feliz totalmente desnecessário. O monstro Kraken, figura lendária do folclore nórdico e que não faz parte da mitologia grega, já havia substituido o monstro marinho Cetus no original, mas acaba não fazendo muita diferença. A história da guerra entre humanos e deuses, que eu particularmente acho absurda, também vem do original, e foi levada por esta nova produção como o grande motivo de levar Perseu a salvar Andrômenda, e não seu amor por ela, o que eu achei mais absurdo ainda. Neste remake sequer vemos Atena na história e Poseidon aparece por um breve momento (devo ter piscado quando ele apareceu). Acho que este novo filme perdeu uma grande oportunidade em aproximar a história um pouco mais da mitologia e, é claro, com um melhor roteiro e direção podia transformá-lo num grande filme.
A mitologia grega, uma religião politeísta na antiguidade, continua a possuir grande importância nos dias de hoje, com um conjunto de significados que refletem os desejos, os anseios e os aspectos mais obscuros do espírito e do subconsciente humano. Antes que uma tentativa de explicar o universo e a origem das coisas, eram contadas para afirmar valores e serviam como guias comportamentais, trazendo aos antigos gregos uma clara distinção do certo e do errado. Os deuses não eram simplesmente bons ou maus, eram um reflexo da condição humana. Humanos por excelência, possuiam defeitos e virtudes, e esta última característica estava mais presentes nos heróis do que nos próprios deuses.
Este riquíssimo universo mítico se faz ainda muito presente nos dias de hoje. Estão presentes no consciente coletivo e não há quem nunca tenha ouvido falar de alguma história ou personagem, seja Hércules, Aquiles ou qualquer outro. Quem não conhece a história de Narciso que se afogou ao apaixonar pela própria imagem reletida no lago? Ou de Ícaro que que teve suas asas de cera derretidas ao querer voar mais alto, se aproximando do Sol? Ou mesmo Édipo e Elektra, resgatados por Freud na psicologia moderna como parte do subconsciente humano?
A história de Perseu nos traz personagens que, com ações condenáveis, tem nelas sua decorrete queda, como Polidectes, rei de Sérifo, que envia Perseu para a mortal missão de trazer a cabeça da górgona Medusa e acaba sendo petrificado pela mesma. Tudo para se ver livre de Perseu, podendo assim aproximar-se de sua mãe Danae. E claro, de Acrísio, avô materno do herói, que ao saber por um oráculo de sua morte pela mão de seu vindouro neto, tenta a todo custo evitar tal destino. Acrísio acaba ficando preso de seu próprio destino, deixando de viver sua vida com plenitude e trazendo para si próprio uma série de infortúnios. Perseu acaba por matar acidentalmente Acrísio após um desastrado arremesso de disco nos jogos, sem qualquer intenção homicida ou desejo pelo trono de Argos.
Ambos os filmes suprimiram a verdadeira essência da história do herói grego, tendo neste último sua história transformada em apenas um filme de ação repleto de efeitos especiais que perdem o sentido e a graça com um roteiro pobre e personagens vazios, a começar pelo próprio Perseu.

2 comentários:
oiii...
A vou frequentar sempre Buteco do Jaral...
veja meu mundo depois
http://mundodivertidodealine.blogspot.com/
Saudadeees
Beijos
Oi.. tb visito seu blog.
mtas saudades tb. bjos
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