12 dezembro 2005

O Trio Pirado




Na época em que comecei a me empenhar na criação de um personagem, um nome veio à minha mente: Morgado. Este nome remete aos tempos ociosos em que eu e meus amigos de adolescência passávamos as tardes jogando bilhar. Quando cansados, sentávamos nos bancos da praça segurando um copinho de café e jogávamos conversa fora. Era a época em que ficávamos apenas “morgando”, ou seja, ficando à toa, segundo a gíria.
Morgado foi o primeiro do trio de tranquêra a ser esboçado e o último a ser finalizado. Passei muito tempo desenhando e redesenhando seu visual até chegar a algo satisfatório.
Seu primeiro esboço foi logo acompanhado do primeiro Bolha. Criados para serem as duas faces de uma mesma moeda, Morgado e Bolha são aqueles tipos opostos que acabam sendo grandes amigos, simplesmente porque um representa o limite do outro. Eles se equilibram. O nome Bolha foi retirado de um personagem que eu fazia numa rádio pirata durante a adolescência. Bolha representa as erratas que eu frequentemente presenciava, seria um tipo mais alucinado, de raciocínio mais lento e um tanto introspectivo. Já Morgado era mais sóbrio, esperto e extrovertido, exatamente o seu oposto.
Pouco tempo depois, senti que faltava alguma coisa. Faltava um personagem que representasse certas escrotidões e porraloquices de alguns amigos meus. Eram temas que eu não conseguia encaixar eficientemente na dupla já criada. Resolvi então que este novo personagem seria um tipo mais metaleiro, com a cabeleira cobrindo os olhos. Certa vez, li erroneamente “Podrêra” num ônibus onde estava escrito “Pedreira”, e lembrei da forma “carinhosa” como nos referíamos a um som mais sujo e pesado. Estava nomeado o terceiro personagem, completando assim o meu trio pirado de tranquêra.

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